segunda-feira, 4 de maio de 2009

Slow dance

Quando comecei na dança, eu tinha um ritmo para dançar exageradamente acelerado. Hoje em dia ainda luto quando essa "pressa" me atinge. Movimentos grandes e ágeis me atraem, mas a leveza e a sutileza também. Tudo tem sua hora, basta saber dosar.

Há alguns anos ouvi falar do movimento "slow food", que critica nossa pressa em fazer tudo. E parei pra pensar que essa correria não faz só parte do nosso almoço, quando queremos nosso Big Mc o mais rápido possível. Pode reparar, quem nunca atravessou a rua antes do sinal verde sem mesmo estar atrasado, ou, pior, em plena folga no final de semana.

O conceito de slow food é este: “O Slow Food é uma associação internacional sem fins lucrativos fundada em 1989 como resposta aos efeitos padronizantes do fast food; ao ritmo frenético da vida atual; ao desaparecimento das tradições culinárias regionais; ao decrescente interesse das pessoas na sua alimentação, na procedência e sabor dos alimentos e em como nossa escolha alimentar pode afetar o mundo. “

Fonte: http://www.slowfoodbrasil.com/

Facilmente podemos traduzir este conceito para a dança do ventre, não é? Quantas vezes os passos são executados “no automático”, sem qualquer consciência corporal ou sem se adequar à música?
É difícil se livrar desse conceito que pulula em nossas cabeças desde crianças. Acredito até que é um exercício diário de paciência. Eu tento e continuarei a insistir, por mais que minhas pernas queiram ser rápidas!


E sem esquecer da padronização, tão comum no fast food. Na dança, certamente há alguns padrões e tendência nas coreografias, nas roupas, maquiagens e etc. Mas há diferença entre inspirar-se em tal bailarina e copiar tal bailarina. A dança é tão rica, por que então eleger apenas uma bailarina para seguir? Escolha várias, veja o que você gosta ou não e adapte ao seu estilo.

Ano passado, em um workshop aqui no Brasil, Raqia Hassan comentou que viu muitas coisas boas nas apresentações das bailarinas brasileiras, mas ficou horririzada com a falta de criatividade na hora da entrada. Todo mundo fazendo o "passeio no bosque", com poucas variações. Então, ela deu algumas idéias e ensinou alguns passos para a entrada, sem deixar de destacar, claro, que a bailarina deve se inpirar nestes passos e não copiar. Ponto pra Raqia!

Liberte-se! Eu estou me libertando e você?

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